quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Por onde anda Dona Esperança?

Depois do Oi Fashion Rocks, com a presença da Calvin Klein, do Marc e da Versace com todo o preenchimento labial de Donatella, tivemos no dia 28.10 o Prêmio Moda Brasil. Uma ótima iniciativa de José Maurício Machiline e do Shopping Iguatemi, que homenageou a eterna editora de moda com uma outrora brilhante, Regina Guerreiro! Esta, que não dispensa uma montação nunca, aproveitou o ensejo para usar um look preto da Glória Coelho. Uma noite de muita comemoração e encontros memoráveis, reunião de pessoas bacanas que fazem a nossa moda cada vez mais fortalecida.


Mas como sempre, os brasileiros perdem a oportunidade de afirmar sua identidade, reforçar o que nós fazemos de melhor, como disse Glória Kalil "é brasileira sem ser folclórica, é sofisticada e tem uma graça". Entre estilistas, modelos, jornalistas e stylists foi um desfile de looks internacionais com a presença de Miu Miu, Louboutin, Yohji Yamamoto, Dolce & Gabbana, Valentino, Vuitton, Lanvin, Missoni, Jill Sander, Stella McCartney, Chloé e até TOPSHOP! Com o seguinte argumento, "ah o hi-lo é algo que deve ser seguido", ok ok ok, super concordo e admiro quem pensa assim, já mostra personalidade, mas alguém usou C&A, RENNER, RIACHUELO?

Gente, se é um prêmio para homenagear a moda brasileira, nada mais pertinente do que se prestigiar as marcas nacionais, mostrar a criação de jovens estilistas locais e até usar os "nossos" magazines, que hoje tem um papel importante na difusão do conteúdo de moda! Não é a toa que vemos o Pense Moda se associar a Renner, exemplo do posicionamento da rede de lojas. Não adianta afirmar que temos uma moda maravilhosa e não usá-la nessas ocasiões solenes! Pergunto: a Donatella usou alguma marca brasileira no OiFR? O Marc foi visto com alguma peça "made in Brasil" quando esteve aqui para abrir a sua loja? NÃO! Então por que temos que homenageá-los num prêmio nacional de moda? Homenagear sim, quando escolhemos uma marca para usar carregamos todo o seu DNA, seus valores e seus símbolos, fazemos uma ODE ao seu criador!



Então Brasil, até quando o que vem de fora terá mais valorizado? Se pensamos em discutir uma identidade nacional, esse é o primeiro ponto da pauta a ser refletido. Vamos parar com o discurso a favor da moda feita por brasileiros e tomarmos uma posição pró-ativa, UTILIZANDO-A! Mirem-se na Glória que utilizou Huis Clos e Corello, duas marcas nacionais que almejam a projeção mundial!


Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano vive uma louca chamada Esperança. E ela pensa que quando todas as sirenas, todas as buzinas, todos os reco-recos tocarem, atira-se e: — ó delicioso vôo! Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada, outra vez criança... E em torno dela indagará o povo: — Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes? E ela lhes dirá (É preciso dizer-lhes tudo de novo!) Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam: — O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

Mário Quintana

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