sábado, 7 de novembro de 2009

The Sign


Design processo - autoprojetar

Nestas últimas semanas estive bastante reflexivo sobre as escolhas feitas durante nosso período de vida; surgiram um turbilhão de dúvidas e incertezas, projetos foram findados dando início a outros, fatos que deram o tom roxo aos dias, uma agitação introspectiva. No meio disso (não sei se chamo de processo de amadurecimento ou simplesmente não denomino), fui convidado por uma amiga para assistir uma palestra sobre exportação promovida pela PROMOBAHIA.

Como o tema era exportação, achei um pouco chato e não queria sair numa sexta a noite para ouvir alguém falar e não prestar atenção, estando com os pensamentos em outros planos. Sem ter muita escolha, encarei como um compromisso de trabalho e fui assistir a palestra de Dália Gallico sem nem imaginar o que ela ira falar ou quem era ela.

Para minha surpresa, ela é a presidente da Associazione Disegno Industriale - ADI, localizada na região responsável pelo design italiano, a Lombardia, composta pelas cidades de Milano, Bréscia e Mântua. Arquiteta e designer, Dalia é docente de universidades na Itália e coordenadora do Observatório de Design, onde são estudadas as tendências de design, tecnologia e comunicação.

Contaminar-se!

Em italiano bem marcado e ensaiando poucas palavras em português, Dália começou sua palestra falando dos significados da palavra DESIGN, escrito por ela na apresentação como THE SIGN (leia-se design)! Para ela, falar sobre design é entra pela semiótica e observar os signos vistos no cotidiano, deixar-se contaminar por eles, construir um arquivo de referências.

Isso muito me inquieta, o ato de contaminar, entendido como contagiar, quando se é tomado por emoções, inspirar-se nos pequenos acontecimentos, contato com pessoas que passariam despercebidas e lugares antes vistos como triviais; e disto, retirar signos para projetar objetos a partir deles. Faz-se latente em mim a vontade de ir mais fundo nos olhares e assuntos, reler o que já li, tentar enxergar com outras perspectivas o que vejo ocasionamente, permitir uma troca com todo o entorno.

Quando ela afirma que devemos desenvolver objetos como computadores pensando em outros códigos como as roupas, os carros, as jóias, os brinquedos, está afirmando a necessidade do design em olhar para o diferente e tentar propor algo novo, deixar se contagiar por outras possibilidades. Deste contágio que surgem as novas propostas de design, quando se entende o que as pessoas estão olhando diariamente e vivendo, suas emoções e valores. Observamos uma época em que as pessoas não tem tempo, buscam a praticidade, sentem medo por faltar segurança, vivem sozinhas sem relacionamentos sólidos, desenvolvem avatar numa vida virtual paralela à realidade e tentam minorar as culpas.

Design + Comunicação

Hábitos que geram novas propostas para se viver, desencadeadores de novos modos de moradia, de consumo, ocasionadores de novas tendências e modas. Vemos isto no aumento das campanhas e no espaço na mídia dedicado às ações sócio-ambientais; no consumo de alimentos orgânicos e de fácil preparo ou pré-cozidos; na utilização das ecobags, no desenvolvimento de produtos com processos socialmente corretos e na pesquisa de novos materiais menos poluidores; e na construção de moradias com grandes espaços de convivência, com cozinhas amplas e varandas gourmet, para que as pessoas passem mais tempo em casa e recebam seus amigos.

Oportunidade identificada pelas empresas, como a Brastemp que realiza o BGourmet, evento que reúne áreas complementares como Moda, Design, Culinária e Arquitetura, numa ação de comunicação, ou como os europeus estão chamando, o COMKT. As empresas passaram a questionar-se sobre qual mundo queriam alcançar, pensando como atingir esse novo nicho de mercado. A Brastemp mostra como se projeta pensando nos novos hábitos, desenvolvendo os eletrodomésticos dentro de parâmetros sócioambientais, com design moderno(projeto e não estética, podendo esta ser retrô), convidando estilistas para desenvolver estampas, arquitetos para pensar onde serão inseridos os produtos na nova proposta de vida do público e chefs de cozinha demonstrando como os consumidores agem no dia-a-dia.

Desta forma vemos como design deixa de pensar apenas no produto e pensa no processo, desde a concepção, passando pelo planejamento e execução, à comunicação e venda. Confirmando que o produto não existe se não for bem comunicado e propiciar ao consumidor uma experiência, que se inicia no ponto de venda e termina nos lares. Essas vivências na loja, como vídeos, editoriais, exposições, são ações para sensibilizar o cliente para o valor agregado da marca, os signos adquiridos e os valores compartilhados quando se consome.

Incentivo

Não sei se esse período introspectivo passará logo ou se permanecerá por mais um tempo, mas tenho a certeza que estou crescendo intelectualmente com ele, parando um pouco mais para pensar a vida e aprender com ela. E com as outras pessoas também, como a própria Dalia que quase não iria conhecer, mas que agora se tornou um exemplo a ser almejado. Como ela própria diz, temos que pesquisar, não mais nas ruas, mas nos fóruns e sites, investigar a opinião das pessoas e pensar nos novos produtos juntamente com quem usa.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Por onde anda Dona Esperança?

Depois do Oi Fashion Rocks, com a presença da Calvin Klein, do Marc e da Versace com todo o preenchimento labial de Donatella, tivemos no dia 28.10 o Prêmio Moda Brasil. Uma ótima iniciativa de José Maurício Machiline e do Shopping Iguatemi, que homenageou a eterna editora de moda com uma outrora brilhante, Regina Guerreiro! Esta, que não dispensa uma montação nunca, aproveitou o ensejo para usar um look preto da Glória Coelho. Uma noite de muita comemoração e encontros memoráveis, reunião de pessoas bacanas que fazem a nossa moda cada vez mais fortalecida.


Mas como sempre, os brasileiros perdem a oportunidade de afirmar sua identidade, reforçar o que nós fazemos de melhor, como disse Glória Kalil "é brasileira sem ser folclórica, é sofisticada e tem uma graça". Entre estilistas, modelos, jornalistas e stylists foi um desfile de looks internacionais com a presença de Miu Miu, Louboutin, Yohji Yamamoto, Dolce & Gabbana, Valentino, Vuitton, Lanvin, Missoni, Jill Sander, Stella McCartney, Chloé e até TOPSHOP! Com o seguinte argumento, "ah o hi-lo é algo que deve ser seguido", ok ok ok, super concordo e admiro quem pensa assim, já mostra personalidade, mas alguém usou C&A, RENNER, RIACHUELO?

Gente, se é um prêmio para homenagear a moda brasileira, nada mais pertinente do que se prestigiar as marcas nacionais, mostrar a criação de jovens estilistas locais e até usar os "nossos" magazines, que hoje tem um papel importante na difusão do conteúdo de moda! Não é a toa que vemos o Pense Moda se associar a Renner, exemplo do posicionamento da rede de lojas. Não adianta afirmar que temos uma moda maravilhosa e não usá-la nessas ocasiões solenes! Pergunto: a Donatella usou alguma marca brasileira no OiFR? O Marc foi visto com alguma peça "made in Brasil" quando esteve aqui para abrir a sua loja? NÃO! Então por que temos que homenageá-los num prêmio nacional de moda? Homenagear sim, quando escolhemos uma marca para usar carregamos todo o seu DNA, seus valores e seus símbolos, fazemos uma ODE ao seu criador!



Então Brasil, até quando o que vem de fora terá mais valorizado? Se pensamos em discutir uma identidade nacional, esse é o primeiro ponto da pauta a ser refletido. Vamos parar com o discurso a favor da moda feita por brasileiros e tomarmos uma posição pró-ativa, UTILIZANDO-A! Mirem-se na Glória que utilizou Huis Clos e Corello, duas marcas nacionais que almejam a projeção mundial!


Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano vive uma louca chamada Esperança. E ela pensa que quando todas as sirenas, todas as buzinas, todos os reco-recos tocarem, atira-se e: — ó delicioso vôo! Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada, outra vez criança... E em torno dela indagará o povo: — Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes? E ela lhes dirá (É preciso dizer-lhes tudo de novo!) Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam: — O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

Mário Quintana