quarta-feira, 8 de julho de 2009

FAZ-SE POESIA!


Quem é o poeta? Uma pessoa capaz de sentir o espírito de um tempo, enxergar os reflexos de um espelho turvo, ouvir as ondas quebrar nos veleiros. Terreno fértil, árvore frutífera da imaginação e sensibilidade. Poeta sujeito, poesia predicado! Com suas imagens imaginárias o poeta constrói frases, versos, páginas; compõe linhas, estampa o papel com sua letra e assinatura. O que seria do mundo sem o poeta? A vida não teria poesia? Não sei falar, não quero me aproximar desta discussão prosaica, nem tão pouco vislumbrar essa possibilidade apavorante. Quero apenas saber de poesia e do poeta que existe em cada criador de moda!

Não! O criador de moda não é um poeta, um operário do consumo, braço direito da mudança no modo de produção e de consumo para uma seara efêmera, de rápida obsolescência e diversificação de produtos. Ele deve atender a necessidade básica do vestir, de proteger, esconder os pudores. “Parem as máquinas! Fechem as fábricas! Poetas invadem o ambiente industrial!” Poderia ser a manchete dos principais jornais do mundo. Sim, os poetas chegaram aos galpões, nem menos apaixonados, tão pouco enlouquecidos. Suas faculdades mentais são intactas, sua eloqüência e intelectualidade cada vez mais aguçada.

Se poesia é a “arte de criar imagens, de sugerir emoções por meio de uma linguagem em que se combinam sons, ritmos e significados”, santo Aurélio. Logo, todo criador de moda é um poeta em essência! Criamos imagens sedutoras, incitamos a emoção, cutucamos as pessoas nos seus mais profundos desejos inconscientes. Falamos por meio de signos, construímos símbolos, damos significados às coisas, também para as vidas alheias. Se o poeta usa as palavras na praça para chegar às pessoas; o escritor usa o papel; o grafiteiro usa tinta nas paredes e muros como suporte para inscrições poético-políticas; o criador de moda utiliza a beleza para criar imagens de moda.

As imagens de moda são poesias! São sentimentos, sensibilidade e leitura de um macroambiente identificado por poucos, os poetas-criadores. Não é só fotografar uma roupa, uma modelo magra, uma divagação a cerca da beleza com pintadas surrealistas. É a construção de um diálogo, de um discurso oferecido às pessoas sobre a identidade de uma marca, seus valores e predileções para aquela estação. Sugestão de uma atmosfera, aproximação de um momento com a realidade de quem vê, transpõe e seduz o observador, propõe que ele leia, negue ou exalte o que vê!